quarta-feira, 16 de outubro de 2013


Banqueiros babam com disruptura de Marina

por: Saul Leblon 

Marina Silva sentou-se à direita da santíssima trindade dos mercados. Em amigável périplo pela mídia, a ex-senadora se declara uma convicta defensora do sacrossanto ‘tripé’. Que vem a ser uma espécie de enforcador à distância. Sendo o pescoço, a sociedade. E os mercados, a mão que controla a correia.

A coleira dentada permite que o dinheiro grosso submeta governos, partidos e demais instâncias sociais a um comando de desempenho monitorado por três variáveis.

A saber:

I) regime de metas de inflação, ancorado no chicote dos juros ‘teatrais’, se necessários, assevera Marina em flerte com o ‘choque’ monetarista;
II) câmbio livre, leia-se, nenhum aroma de controle de capitais; vivemos, afinal, em um período de pouca volatilidade e incerteza global... e
III) o superávit ‘cheio’ – o nome honesto disso, convenhamos, é arrocho fiscal: corte de investimentos públicos estratégicos para garantir o prato de lentilhas dos rentistas.
Marina descobriu que quando abre a boca encanta os banqueiros. Mas começa a ter dificuldade com o vocabulário.
Como exprimir o que se propõe a fazer no Brasil sem colidir com as boas intenções de seus apoiadores?
Ao jornal Valor Econômico, que lhe ofereceu uma página nesta 2ª feira, a parceira de Eduardo Campos defende uma ‘disruptura’. Que diabo ela quer dizer com isso?
Marina quer dizer a mesma coisa que o Globo disse sábado, em manchete garrafal: ‘PSDB melhorou serviços e PT reduziu desigualdade’. Ou seja, o passado passou. Cada um fez o que pode.

Agora é olhar para frente, juntar o que presta e descartar o resto. O nome da travessia, ensaia o Globo, é Campos/Marina. Ou ‘disruptura’, arrisca a sedutora ex-senadora.

Vamos abstrair do interior da palavra ‘serviços’ detalhes que agridem a apaziguadora manchete do Globo. Por exemplo, o ‘apagão’ de 2001. Ao custo de 2% do PIB, ele promoveria um corte de 20% do serviço de energia elétrica oferecido aos brasileiros. Que, todavia, pagaram pelo serviço não prestado.

Outra dissonância entre a história vivida pela população e o jornalismo Globo: a área sofrível do saneamento básico. No ano passado, o Brasil aplicou R$ 8,3 bi na expansão desse serviço . É pouco. A média necessária para universalizar o acesso em 20 anos seria da ordem de R$ 20 bi ao ano.

Ainda assim representa dez vezes mais o valor destinado há uma década, quando, segundo o Globo, tivemos um ciclo de fastígio nos serviços.
Marina passa ao largo dessas miudezas.
“ Como eu e Eduardo reconhecemos tanto as coisas boas do governo do PT e do PSDB, talvez sejamos a esperança de provocar uma "disruptura".
Ei-la, nesta 2ª feira, em bate bola afinado com a manchete do domingo. Nas palavras da ex-senadora, trata-se agora de buscar ‘uma agenda que não mude porque mudou o governo’. Escavar um fosso entre a representação política da sociedade e o poder efetivo sobre o seu destino , é tudo o que as plutocracias almejam, urbi et orbi.

Se alguém trata isso com leveza e sedução, como resistir?

‘Impressionante’ ; ‘cativante’, disseram clientes endinheirados do Credit Suisse , banco que patrocinou um encontro a portas-fechadas com a ex-ministra na 6ª feira.
Há notável coerência entre desdenhar dos partidos e entregar o destino da sociedade a uma lógica que se avoca autossuficiente e autorregulável. Marina passeia por um Brasil plano. Mas o mundo não é plano. E o relevo econômico do Brasil inclui-se entre as encostas mais acidentadas pela ação secular de predadores, ora cativados pela ex-ministra.


Os ouvidos para os quais as vozes de Marina, Campos e Aécio soam como música –assim como soava a de Palocci, em 2003-- sabem que drenar R$ 223 bilhões em juros de um organismo social marcado por carências latejantes de serviços e infraestrutura não é sustentável.
O valor refere-se ao total das despesas com juros da dívida pública (nas três esferas da federação) pagos em 12 meses até outubro. Representa uns 5% do PIB. Mais de dez vezes o custo do Bolsa Família, programa que beneficias 14 milhões de famílias, 55 milhões de pessoas.


Ou quatro vezes o que supostamente custaria a implantação da tarifa zero no transporte coletivo das grandes cidades brasileiras. Ou ainda dezoito vezes mais o que o programa ‘Mais Médicos’ deve investir até 2014, sendo: R$ 2,8 bilhões para construir 16 mil Unidades Básicas de Saúde e equipar 5 mil unidades; ademais de R$ 3,2 bilhões para obras em 818 hospitais e aquisição de equipamentos para outros 2,5 mil, além de R$ 1,4 bilhão para obras em 877 Unidades de Pronto Atendimento.

Repita-se: daria para fazer isso 18 vezes com o valor destinado ao rentismo em um ano.

Não serve de consolo dizer que no final do governo FHC gastava-se quase 10% do PIB com juros. O investimento público direto da União em logística e infraestrutura social era um traço. Agora oscila em torno de 1% (descontado o Minha Casa).


Muito distante do desejável para uma sociedade que atingiu o ponto de saturação na convivência com serviços insuficientes e de baixa qualidade. O ponto é: como Marina que supostamente herdou os votos dessa insatisfação, pretende lidar com assimetrias descomunais, apoiada na defesa algo deslumbrada, tosca e jejuna, do ‘tripé’?


“Se o tripé ficou comprometido, é preciso restaurá-lo”, sentenciou quase blasé aos clientes embasbacados do Credit Suisse. Ao abraçar a utopia neoliberal Marina aspira ser uma pluma imune ao atrito que contrapõe os interesses populares aos da elite brasileira. Exerce na verdade o surrado papel da bigorna histórica, sobre a qual amplos interesses são submetidos aos golpes da marreta impiedosa do dinheiro.


Para isso está sendo cevada. Ao que parece, tomou gosto pela ração. E já ensaia comer sozinha.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Rogério Correia vence primeiro debate dos candidatos !

O debate entre os candidatos à presidência estadual do PT-MG, ocorrido no auditório do CREA na última segunda-feira, 07 de outubro, evidenciou para todos que estiveram presentes, que o candidato mais preparado, com clareza de idéias, disposição militante e coragem para debater a tática e a estratégia do partido sem pragmatismo, colocando o “dedo na ferida”, apontando rumos com radicalidade e coerência é com certeza o companheiro deputado estadual Rogério Correia.

Os pontos apresentados no documento “Rogério Correia - Presidente para o PT de Minas mudar de rumo com rapidez, radicalidade e ouvindo as vozes das ruas”, destacou que o PT tem que ser a vanguarda na oposição ao projeto neoliberal, que em Minas não se cabem mais os chamados Lulécios, Pimentécios e Dilmasias, é preciso uma reforma política no PT, chega de coligações proporcionais e para 2014 é preciso o partido marchar unido com a candidatura própria e um programa de governo construído com as bases partidárias e os movimentos sociais.

Rogério, em momento de sua intervenção, em referência ao coronelismo no PT, às famosas garrafinhas, aos pagamentos em massa, afirmou que: “se não houver voto de cabresto serei eleito presidente do PT!”. Interessante observar também que, de todos os candidatos, foi o único a pronunciar com ênfase a palavra SOCIALISMO !

Por Marco Aurélio Rocha


Assista ao vídeo dos momentos de Rogério no debate clicando no link abaixo:





Assista ao debate completo clicando no link abaixo:


Debate entre os candidatos à presidência do PT-MG



terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sem cabresto, Rogério presidente!!!


Ontem, 07 de outubro, foi realizado no auditório do CREA-MG, o primeiro debate entre os candidatos a presidente do PT de Minas Gerais, do PED2013. Todos os quatro candidatos compareceram, Rogério Correia, Odair Cunha, Gleide Andrade e Betão.


Rogério reafirmou a necessidade do PT de Minas ter novos rumos, tendo com os movimentos sociais e sindicais parceiros na construção e condução de sua política. Lembrou que nos dois anos em que foi líder da bancada do PT na Assembleia, soube construir a unidade mesmo com a pluralidade de idéias e tendências dos vários deputados que a compõe e esta mesma ação, deve ser levada ao partido para se ter uma maioria no diretório com debates e consensos.

Rogério Correia enfatizou que a estratégia atual do partido chegou a seu ápice, "bateu no teto", assim é preciso renovar, sempre sintonizado com os movimentos sociais, pensar o partido do futuro, com alianças mais programáticas e menos pragmáticas. As manifestações de junto foi um alerta sobre o fim desta estratégia, o PT devia ter sido protagonista das manifestações e no entanto ficou paralisado frente a elas, o próprio governo federal e a pessoa da presidenta Dilma foram mais ativos, deram mais respostas ao movimento, enquanto o PT mineiro não conseguiu nem mesmo emitir sua opinião.



O processo de eleições internas do PT, seus vícios e defeitos, foi muito criticado por Rogério, como os casos de contribuição partidária em massa, o financiamento privado do partido, o transporte ilegal de eleitores que é uma prática recorrente no partido, a contratação de fiscais e o poder econômico influenciando nas decisões partidárias, ou seja, todas as mazelas das eleições no país, importadas para dentro do PT.

Dentre os pontos apresentados no documento “Rogério Correia - Presidente para o PT de Minas mudar de rumo com rapidez, radicalidade e ouvindo as vozes das ruas”, Rogério destacou que o PT tem que ter a vanguarda na oposição ao projeto neoliberal, que em Minas não se cabem mais os chamados Lulécios, Pimentécios e Dilmasias, é preciso uma reforma política no PT, chega de coligações proporcionais e para 2014 é preciso o partido marchar unido com a candidatura própria e um programa de governo construído com as bases partidárias e os movimentos sociais.



Por fim, é preciso que o partido repense o PED, infelizmente este modelo não prioriza o debate e o convencimento com argumentos políticos e ideológicos. Assim o que vale é a famosa contagem das garrafinhas, como disse Rogério “se não houver voto de cabresto serei eleito presidente do PT!”

Nos próximos dias estaremos disponibilizando o vídeo do debate aqui no blog.

Por Marco Aurélio Rocha

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

PED 2013: Rogério participa de debate com candidatos à presidência do PTMG

O deputado Rogério Correia participa nesta segunda-feira, 07/10, às 18h30, de debate com os outros três candidatos à presidência estadual do Diretório Estadual do PT em Minas Gerais, no PED 2013 (Gleide Andrade, Odair Cunha e Roberto Cupolillo).

Com o lema ‘Para o PT de Minas Mudar de Rumo’, Rogério está focado no resgate das relações e da aproximação do partido com os movimentos sociais e sindicais do estado e promete levar essa discussão hoje para o debate. O assunto foi até tema de matéria veiculada nesta segunda-feira pelo Jornal Hoje Em Dia. Veja, abaixo:
PT tenta voltar às origens, mas sem reabrir o diálogo
Humberto Santos- Hoje em Dia
Após os protestos de junho, o PT adotou um discurso de volta às origens e busca uma reaproximação com os movimentos populares. Antiga marca registrada da legenda, os movimentos sociais reclamam do distanciamento desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula. O partido acena agora com essa retomada para tentar conter os protestos de rua e evitar o crescimento da oposição num setor que dominava.
Em visita recente a Minas Gerais para campanha à reeleição na presidência do PT, o deputado Rui Falcão (SP) disse que o partido quer “cada vez mais estar próximo dos movimentos sociais”. A aproximação seria para entender “as vozes das ruas” que tomaram o país durante a Copa das Confederações.
O vice-presidente do PT mineiro, deputado Miguel Corrêa, não acredita que a sigla esteja distante dos movimentos sociais, mas pondera que tem dificuldades com o novo contexto. “O PT não foi criado no mundo de hoje, com a internet. Precisamos estar próximos dos movimentos que surgem pelas redes sociais, até mesmo para entendê-los”, avalia.
“Os governos Lula e Dilma são marcados por avanços significativos, porém não foram feitas reformas importantes, como a agrária, que foi escanteada. Esse é um motivo que levou ao distanciamento. Também houve um expectativa equivocada do PT de que as conquistas só seriam possíveis com a chegada ao poder”, avalia Sílvio Neto, diretor do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) de Minas Gerais.
O integrante do MST participa de fóruns com outros movimentos sociais que já discutiram a relação do PT com os movimentos sociais. Para Neto, o PT esqueceu a força das ruas e perdeu a interlocução com as forças populares.
“A partir das manifestações de junho mudou a conjuntura da sociedade brasileira. Estamos esperando o diálogo com o PT para construir um novo projeto popular. Temos visto a disposição do PT em discutir, mas na prática isso não ocorreu até agora”, reclama Neto.
Dependência
“Não houve distanciamento do PT dos movimentos. Houve um processo de cooptação dos movimentos sociais, tanto que eles perderam parte de sua vitalidade e criaram uma dependência do Estado. Como se faz isso? Cria uma secretaria, um conselho, abre espaço e os coloca dentro de uma posição que não incomoda e também não decide. Só para controlá-los”, avalia o doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília, Leonardo Barreto.
O cientista político Rodrigo Mendes possui análise parecida. “Quando Lula chegou ao poder, não houve ruptura com os movimentos, houve assimilação. Isso provocou uma relativização dos movimentos sociais. Isso ficou claro nas manifestações de junho. Quando os sindicatos tentaram chamar novos protestos, foi um fracasso”, avalia.
Corrêa defende a entrada de membros dos movimentos sociais no governo. “O PT não cooptou os movimentos sociais; os movimentos são base do partido, são parte dele desde a sua fundação”.